Certificação de café da Fazenda Três Marias é suspensa após condenação por escravidão
A Rainforest Alliance suspendeu o selo socioambiental da Fazenda Três Marias após decisão de primeira instância. A empresa nega as acusações e recorre da condenação.
A Rainforest Alliance informa que a fazenda tinha certificação ativa e passou por auditorias em abril de 2025 e em abril de 2026. Essas avaliações incluíram entrevistas com trabalhadores e análise das condições de trabalho, sem identificar evidências das violações citadas no processo judicial.
Após a recente decisão, a certificadora suspendeu imediatamente o selo da propriedade e abriu uma análise de integridade do caso. As medidas seguintes dependerão do resultado dessa análise e seguirão os requisitos e procedimentos da organização.
A Fazenda Três Marias, com cerca de 100 anos de tradição na cafeicultura, afirma manter há anos práticas de governança trabalhista. Entre elas estão comitês de participação dos trabalhadores, canais de queixa, treinamentos, ações de saúde e segurança, auditorias independentes e acompanhamento contínuo das condições de trabalho.
A empresa declara que não utiliza, tolera nem compactua com qualquer prática que submeta colaboradores a condições análogas à escravidão. Sobre os reclamantes, afirma que nunca houve restrição à liberdade de locomoção nem conduta que atentasse contra a dignidade deles, razão pela qual não reconhece como procedentes as alegações.
A Rainforest Alliance diz ter conhecimento da decisão de primeira instância e informou que a empresa adota as medidas judiciais cabíveis. Segundo relatório do Imaflora, entidade certificadora autorizada pela organização, equipes fizeram visita presencial de dois dias à fazenda em abril de 2025. Na ocasião, entrevistaram funcionários, analisaram documentos e verificaram as condições de trabalho, constatando a existência de banheiros e área de vivência, como mostram os registros fotográficos.
A fazenda diz respeitar a decisão judicial, mas considera que seus fundamentos devem ser revistos, por isso recorre às instâncias superiores. Paralelamente, afirma adotar medidas para mitigar impactos e preservar a continuidade das atividades, ponderando que eventuais restrições podem atingir também trabalhadores, suas famílias e outras pessoas que dependem da operação.
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