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Quatro tartarugas marinhas morrem em praia de São Francisco; laudo descarta doença e instituto aponta risco da pesca

Necropsias feitas em três das quatro tartarugas-cabeçudas encontradas mortas na Praia de Santa Clara indicaram que os animais estavam saudáveis. O Instituto BW aponta a atividade pesqueira como fator de risco para a espécie.

Quatro tartarugas marinhas morrem em praia de São Francisco; laudo descarta doença e instituto aponta risco da pesca
Imagem da reportagem

Quatro tartarugas marinhas da espécie tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) foram encontradas mortas na Praia de Santa Clara, em São Francisco de Itabapoana, no Norte Fluminense. Os animais apareceram no domingo (20).

Na tarde desta quarta-feira (23), o Instituto BW divulgou o laudo de três necropsias. O documento concluiu que as tartarugas estavam saudáveis e que nenhuma doença explicava as mortes.

Segundo o texto do laudo, “as necropsias indicaram bom escore corporal, reservas de gordura cavitária e conteúdo alimentar no estômago, evidências de que os animais estavam em pleno exercício de suas atividades biológicas e não apresentavam quadro de uma patologia especifica que justificasse o encalhe”.

A partir desse resultado, o instituto chamou a atenção para a pesca na região. Em 2025, 60% das 499 tartarugas submetidas à necropsia podem ter morrido em interação com a atividade pesqueira. No ano passado, o número de encalhes em São Francisco de Itabapoana chegou a 1.959.

Os animais foram achados na faixa de areia, e a causa das mortes ainda está sendo investigada. Um morador relatou ao g1 que três tartarugas estavam enterradas na areia, enquanto outra permanecia exposta na faixa de praia.

A bióloga Dra. Ludmila Damásio, diretora executiva do Instituto BW, afirmou que o número real pode ser maior. “O número real tende a ser maior: nem todos os animais puderam ser examinados, e a morte por asfixia, que ocorre quando a tartaruga fica presa numa rede e não consegue subir para respirar, raramente deixa marcas visíveis no corpo”, disse.

De acordo com o instituto, que monitora a fauna marinha da área, a região Norte Fluminense é uma das principais áreas de reprodução da espécie. Entre setembro e março, as fêmeas se aproximam da praia para desovar, e os machos ficam perto do litoral para o acasalamento, o que aumenta a frequência de avistamentos.

Segundo a entidade, a captura das tartarugas nas atividades de pesca não é intencional. Ela acontece quando os equipamentos capturam espécies que não são o alvo da pesca.

“Essa captura ocorre de forma não intencional, quando equipamentos de pesca acabam capturando espécies que não são o alvo da atividade. A redução dessas ocorrências passa, necessariamente, pela parceria com os pescadores, que estão diariamente no mar e têm um papel fundamental na conservação dessas espécies”, destacou a Dra. Ludmila Damásio.

A Secretaria de Meio Ambiente lembrou que São Francisco de Itabapoana tem áreas importantes para a reprodução de tartarugas marinhas. Por isso, afirmou, são necessárias ações permanentes de monitoramento e conservação ao longo do litoral do município.

Desde 2024, o Instituto BW participa do Projeto de Monitoramento de Praias, que acompanha os encalhes e desenvolve ações de conservação da fauna marinha. O projeto é uma condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades de petróleo e gás da Petrobras na Bacia de Campos.

As ações incluem localizar animais marinhos encalhados, prestar atendimento aos que são encontrados vivos, realizar necropsias nos mortos e avaliar possíveis impactos das atividades offshore sobre a fauna marinha.

A Dra. Paula Baldassin, coordenadora de Medicina Veterinária e vice-presidente do Instituto BW, pediu a colaboração da população. “Nosso monitoramento constante é o que nos permite identificar rapidamente esse tipo de ocorrência. A colaboração da população é essencial: reforçamos a importância de acionar imediatamente nossa equipe sempre que um animal marinho for avistado na praia, vivo ou morto”, afirmou.

Quem avistar uma tartaruga marinha na faixa de areia, viva ou morta, deve acionar imediatamente o 0800 991 4800. Não é recomendado tocar, manipular ou tentar devolver o animal ao mar. É preciso manter distância e aguardar a chegada da equipe especializada.

Também é indicado isolar a área para evitar a aproximação de curiosos ou animais domésticos e, se possível, anotar a localização exata do animal.

Fonte original: https://g1.globo.com/rj/norte-fluminense/noticia/2026/09/23/quatro-tartarugas-marinhas-sao-encontradas-mortas-em-praia-de-sao-francisco-de-itabapoana.ghtml

[Texto reescrito automaticamente — revise antes de publicar]

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